A CULTURA DO MARACUJÁ
O maracujá é uma planta de clima tropical
com ampla distribuição geográfica. A cultura do maracujá
está em franca expansão tanto para a produção de frutas
para consumo "in natura" como para a produção
de suco. O Brasil é o primeiro produtor mundial de maracujá.
Recomendaçôes Técnicas:
Clima e Solo 
O maracujazeiro pode ser cultivado na maioria
das regiões tropicais e subtropicais. Os solos mais indicados
são os arenosos ou levemente argilosos, profundos e bem
drenados.
Variedades
A espécie mais cultivada é o maracujá amarelo.
O maracujá roxo é mais indicado para locais de alta altitude
e climas mais frios.
Propagação
A propagação geralmente é feita através
de sementes. As sementes podem secar no interior dos frutos
ou serem colhidas e colocadas em um recipiente de vidro
ou louça para fermentar. O fruticultor deve retirar sementes
de vários frutos colhidos em diferentes plantas e não de
muitos frutos de poucas plantas.
Poda
Cerca de 15 dias após o plantio inicia-se
a operação de poda, eliminando-se todos os brotos laterais,
deixando apenas o ramo mais vigoroso, que será conduzido
por um tutor até o final do arame. No período de entressafra
deve ser feita uma poda de limpeza, retirando-se todos os
ramos secos e/ou doentes, proporcionando melhor arejamento
à folhagem do maracujazeiro e diminuição do risco de contaminação
das novas brotações.
Solo, Calagem e Adubação

O solo deve ser profundo, arenoso ou levemente
arenoso e bem drenado, pois, o encharcamento favorece a
ocorrência de doenças do sistema radicular. Após a escolha
da área, devem ser feitas amostragens do solo para análise
química.
A adubação orgânica é uma prática importante
para manter o solo produtivo. Vale lembrar que o sucesso
da adubação depende tanto da quantidade adequada aplicada,
quanto da época e localização do corretivo e dos fertilizantes.
Custos de Produção
e Análise de Rentabilidade 
Produção Nacional

Fonte: IBGE - Produção Agrícola Municipal, 2011. Consultado em 04/02/2013.
- Evolução da Produção do Maracujá Amarelo nas Mesorregiões
do Estado da Bahia:
FONTE:
IBGE - Produção Agrícola Municipal, 2004
- Evolução da Produtividade do Maracujá Amarelo nas
Mesorregiões do Estado da Bahia:
FONTE:
IBGE - Produção Agrícola Municipal, 2004
- Evolução da Produção, Área Plantada e Produtividade
do Maracujá Amarelo na Região Semi-árida do Brasil:
FONTE:
IBGE - Produção Agrícola Municipal, 2004
- Evolução da Produção, Área Plantada e Produtividade do Maracujá Amarelo nas Mesorregiões do Estado de São Paulo:
FONTE: IBGE - Produção Agrícola Municipal, 1995-2004
- Evolução da Produção, Área Plantada e Produtividade do Maracujá Amarelo nas Mesorregiões do Estado de Minas Gerais:
FONTE: IBGE - Produção Agrícola Municipal, 1995-2004
- Evolução da Produção, Área Plantada e Produtividade do Maracujá Amarelo nas Microrregiões do Estado de Sergipe:
FONTE: IBGE - Produção Agrícola Municipal, 1995-2004
- Evolução da Produção, Área Plantada e Produtividade do Maracujá Amarelo nos Estados do Brasil:
FONTE: IBGE - Produção Agrícola Municipal, 1995-2004
Controle de Plantas
Daninhas 
Para o controle de plantas daninhas na
cultura do maracujazeiro existem poucos estudos a respeito,
apesar de sua grande importância.
A capina através de implementos mecânicos,
próxima à planta (menos de 1 m de distância), não é recomendável
em função dos danos que traz às raízes, uma vez que estas
se concentram na sua maioria de 15 a 45 cm de distância
do caule. O uso de herbicidas é bastante válido para o controle.
A melhor prática tem sido a eliminação
das plantas daninhas nas linhas de plantio com o uso de
capinas com enxada e roçadeira.
Insetos-Pragas do Maracujazeiro
e Controle 
Lagartas desfolhadoras - Dione
juno juno - tem coloração escura, corpo recoberto
por "espinhos". Na fase adulta, são borboletas
alaranjadas com as margens das asas pretas.
Agraulis vanillae vanillae - na
fase adulta é uma borboleta que apresenta coloração alaranjada
com diversas manchas negras espalhadas nas asas, as quais
apresentam faixas negras nos bordos, especialmente nas asas
posteriores.
Os ovos de ambas as pragas, inicialmente
amarelos, mudam de coloração com o passar do tempo. Tornam-se
avermelhados e, próximo da eclosão das lagartas, assumem
uma tonalidade castanha.
Controle - em áreas pequenas, recomenda-se
a catação e destruição dos ovos e lagartas. Em áreas extensas,
recomenda-se a utilização de um inseticida biológico à base
de Bacillus thuringiensis na dosagem de 100g/100
1 (300 a 600 1/ha de calda), em aplicações semanais. Outros
inseticidas como fenthion, trichlorfon, carbaryl, malation,
diazinon e acefato também têm sido indicados.
Broca da haste ou broca do maracujazeiro
- O adulto é um besouro com manchas amareladas no dorso.
As larvas são brancas, sem pernas e medem aproximadamente
5mm de comprimento. Quando atinge a fase adulta, o inseto
sai do ramo através de um pequeno orifício circular. Quando
o ataque se dá na haste principal, os danos são mais severos,
podendo causar a morte da planta.
Controle - através de vistorias
periódicas. Recomenda-se a poda e queima dos ramos afetados.
Na haste principal, pode ser utilizado fosfeto de alumínio
(pasta).
Percevejos - os percevejos sugam
a seiva de todas as partes da planta, ocasionando a queda
de botões florais e frutos novos e o murchamento de frutos
mais desenvolvidos.
Controle - os produtos indicados
para o controle de lagartas, com exceção do inseticida biológico,
podem ser utilizados contra os percevejos.
Lagartas de teia - apresenta um
comportamento de dobrar a folha da planta, ficando protegido.
Apesar de ser um inseto desfolhador, os prejuízos acarretados
por essa praga são principalmente devido a um líquido esverdeado
expelido pelas lagartas, que parece ter efeito tóxico sobre
as folhas e ramos novos. A estação chuvosa (abril a junho)
é a época de maior ataque.
Controle - inspeção periódica na
plantação. Evitar aplicações frequentes de produtos químicos
não seletivos, que eliminam seus inimigos naturais.
Moscas-das-frutas - os adultos apresentam
colorido predominantemente amarelo com duas manchas da mesma
cor nas asas. Os principais danos causados são decorrentes
da ovipozição em frutos ainda verdes, provocando o seu murchamento
antes de atingir a maturação. As larvas podem destruir a
polpa dos frutos.
Controle - a catação e enterrio
de frutos atacados, plantio em área distante de cafezal
são medidas auxiliares para a redução da população das moscas-das-frutas.
Recomenda-se a utilização de iscas envenenadas, compostas
por 5 kg de melaço ou açúcar mascavo ou 500 ml de proteína
hidrolizada, inseticida e 100 1 de água. Devem ser aplicadas
de 15 em 15 dias, apenas de um lado das plantas (1m). Os
inseticidas que podem ser utilizados são trichlorfon, malathion,
fenthion e diazinon.
Pulgões - são insetos de aparência
delicada, medindo aproximadamente 2 mm. A importância do
seu ataque está relacionada à transmissão de uma doença
- vírus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro.
Controle - devem ser erradicadas
tão logo seja constatada sua presença. Deve-se também evitar
o plantio de plantas hospedeiras dos pulgões (pepino, melancia,
abóbora, melão, ervilha e tomate) nas imediações do pomar.
Abelhas arapuá e melífera - a arapuá
é uma abelha de coloração preta, que ataca as flores novas
podendo provocar queda das mesmas.
Controle - destruição dos ninhos
ou a utilização de iscas envenenadas, já referidas para
moscas-das-frutas, no controle dessa praga.
Besouro das flores - mede cerca
de 11 mm de comprimento e 6 mm de largura, cabeça escura,
asas brilhantes claras e de coloração palha. Ataca folhas
novas e flores, prejudicando a produção.
Controle - inseticidas relacionadas
para as lagartas, excetuando-se o Bacillus thuringiensis.
Além dos insetos, os ácaros podem também
causar sérios prejuízos à cultura do maracujá: ácaro branco,
ácaro plano e ácaros vermelhos. Para o controle racional
desses ácaros o produtor deve inspecionar periodicamente
o pomar, vistoriar as culturas vizinhas bem como as ervas
daninhas. Realizar o tratamento com o uso de acaricida específico
e escolher um produto que apresente maior seletividade e
curta duração residual, evitando os resíduos tóxicos nos
frutos.
Doenças do Maracujazeiro

O maracujazeiro pode ser atacado por fungos,
virus e bactérias.
Doenças: Tombamento, mela ou "damping
off", Antracnose, Verrugose ou Cladesporiose, Bacteriose,
Definhamento precoce, Podridão do colo e Murcha ou Fusariose.
Tombamento, mela ou "damping off"
- caracteriza-se por uma lesão no colo da plantinha,
provocando seu tombamento e morte.
Controle - manejo adequado da sementeira
ou usando pentacloro nitrobenzeno para Rhizoctonia,
benomil para Fusarium e fosetyl-Al para Phytophthora.
Antracnose - ataca as folhas causando
manchas pequenas, a princípio claras, circulares, rodeadas
por bordos verde-escuros que mais tarde podem coalescer
tornando-se pardo-avermelhadas. Os ramos apresentam manchas
alongadas que se transformam em cancros.
Controle - pode ser feito pela aplicação
de produtos à base de oxicloreto de cobre + mancozeb, chlorotalonil
ou benomil.
Verrugose ou Cladesporiose - Caracteriza-se
por manchas circulares, inicialmente de aspecto translúcido,
cobrindo-se posteriormente por um tecido corticoso, áspero,
saliente, de cor parda. Dão ao fruto um aspecto deformado
e nas folhas o limbo foliar torna-se completamente enrugado.
Os sintomas aparecem também em ramos, gavinhas e pecíolos.
Controle - cobertura com caldas
fungicidas destacando-se os produtos à base de cobre, com
periodicidade semanal sob chuvas e quinzenalmente em períodos
de umidade e chuvas esparsas. Não se recomenda o controle
dos frutos quando o destino dos mesmos é para a industrialização
do suco pois a doença não atinge a polpa.
Bacteriose - doença de estação chuvosa
e quente, às vezes semelhante à antracnose, diferenciando-se
por apresentar inicialmente pequenas manchas aquosas nas
superfícies dos tecidos das folhas e frutos em qualquer
fase do seu desenvolvimento.
Controle - o mesmo esquema de controle
recomendado para a verrugose.
Definhamento precoce - caracteriza-se
pela desfolha da parte aérea, resultante da presença nas
hastes principais de áreas com pequenas manchas de coloração
amarelada que coalescem, secam, formando grandes áreas descoloridas
ou de cor parda-avermelhada que com a continuação destroem
o tecido cortical externo, provocando o secamento das hastes
e a morte das plantas.
Controle - produtos a base de ditiocarbamatos.
Entretanto, devem ser observadas as condições de cultivo
da plantação e corrigir os tratos culturais que possam estar
contribuindo para o desenvolvimento do mal.
Podridão do colo - manchas escurecidas
e úmidas que depois apodrecem lesionando inclusive o cilindro
central do caule. A lesão pode se desenvolver para cima
ou para as raízes. As folhas tornam-se murchas, amareladas
e quando a lesão envolve totalmente o diâmetro do caule
a planta morre.
Controle - não plantar em solos
compactados, não usar grade, evitar ferimentos nas operações
da capina, retirar as lesões iniciais, raspar a área afetada
e aplicar pasta bordaleza, no momento do plantio, mergulhar
as raízes até 20 cm acima do colo, em uma solução de metalaxil
(200 g/100 1 água); no caso de aparecimento de plantas doentes,
principalmente nos períodos de altas temperaturas e umidade
quando ocorre maior disseminação da doença, proceder a erradiação
das plantas e sua imediata destruição pelo fogo.
Murcha ou Fusariose - ataca os vasos
lenhosos a partir das raízes causando murcha generalizada
e morte rápida das plantas. A murcha se inicia pelas extremidades
do ramo e neste momento, antes da generalização da murcha,
as raízes já se encontram apodrecidas.
Medidas preventivas - escolha de
terrenos bem drenados em locais altos e que não contenham
restos de mata ou capoeira, evitar frequentes gradagens
em áreas com focos descobertos, eliminação de plantas atacadas
e destruição das mesmas na cova (não retirar do local).
Localizado o foco, erradicar até três plantas sadias em
volta das plantas afetadas, etc.
Colheita e Rendimento

O período de colheita, varia de 6 a 9 meses.
Plantios efetuados nos meses mais próximos do verão, permitem
início de colheita mais precoce (6 meses). O maracujazeiro
tem longo período de safra. Os frutos de maracujá amarelo
quando maduros caem ao chão, deste modo o ponto de colheita
é determinado pela coleta dos frutos.
O rendimento da cultura depende de fatores
como clima, solo, espaçamento, tratos culturais, adubação
e controle fitossanitário.
Você pode obter mais informações:
Adquirindo nossas Publicações